CNPJ & MEI

MEI serve pra criador de conteúdo? E até quanto dá pra faturar?

Pra quem cria conteúdo e pensou em abrir MEI, mas não sabe se a atividade encaixa nem até quanto pode ganhar. Você sai sabendo o teto, o custo e o limite.

MEI

Você ouviu falar que o MEI é o jeito mais barato de ter um CNPJ no Brasil. E é. Mas aí veio a dúvida: será que serve pra mim, que vivo de conteúdo? E quanto eu posso faturar antes de dar problema?

Vamos resolver as duas coisas.

A resposta direta

O MEI é, sim, uma porta de entrada ótima pra muitos criadores: CNPJ de verdade, imposto fixo baixo e pouca burocracia. O teto é de R$ 81.000 por ano, o que dá uma média de R$ 6.750 por mês como referência. Esse valor está em vigor desde 2018 e segue valendo em 2026.

O ponto que confunde é a atividade. O MEI tem uma lista de ocupações permitidas, e nem toda atividade ligada a conteúdo entra nela de forma óbvia. "Criador de conteúdo" não é uma categoria única e direta na lista, então vale checar com um contador qual ocupação encaixa no seu caso antes de abrir.

O teto, explicado sem susto

O limite é anual, não mensal. Isso é libertador pra quem cria, porque sua renda balança.

Não existe um teto fixo por mês. Você pode faturar R$ 2 mil num mês fraco e R$ 12 mil num mês de campanha grande. O que conta é a soma do ano. Enquanto o total não passar de R$ 81 mil, você está dentro.

Dividir por doze (os tais R$ 6.750) serve só como termômetro pra você não se perder. Não é uma regra de "não pode passar disso esse mês".

Faturamento é tudo que entra, não o que sobra

Aqui mora o erro mais comum. O teto vale sobre o faturamento bruto, ou seja, tudo que você recebeu, antes de descontar qualquer custo.

A Lia faturou R$ 78 mil no ano e gastou R$ 20 mil em edição, equipamento e tráfego. O lucro dela foi R$ 58 mil. Mas, pro MEI, o que conta é o R$ 78 mil que entrou, não o R$ 58 mil que sobrou. Confundir as duas coisas é o que leva gente a estourar o teto sem perceber.

Quanto custa

O MEI paga um valor fixo por mês, o DAS. Ele é baixo de propósito e cobre sua contribuição pro INSS mais o imposto da atividade. Em 2026, com o salário mínimo em R$ 1.621, o valor mensal fica assim:

  • Serviços (o caso mais comum pra quem cria): R$ 86,05
  • Comércio ou indústria: R$ 82,05
  • Comércio e serviços ao mesmo tempo: R$ 87,05

Pagando esse valor, você tem CNPJ, emite nota e ainda constrói tempo de contribuição pra aposentadoria. É barato pelo que entrega.

E tem uma declaração anual (não confunda com o IR)

Todo MEI entrega uma declaração simples por ano, a DASN-SIMEI, informando quanto faturou. O prazo é até 31 de maio, e ela é obrigatória mesmo que você não tenha faturado nada no ano.

Atenção: essa é a declaração da empresa. Ela não é a mesma coisa que o seu Imposto de Renda de pessoa física. Dependendo do quanto você tira pra você, pode ser que precise das duas. Esse é um ponto pra alinhar com o contador.

O que fazer agora

  1. Cheque a atividade. Veja se a sua ocupação cabe na lista do MEI antes de qualquer coisa.
  2. Olhe sua projeção do ano. Se você caminha pra mais de R$ 81 mil, o MEI talvez não seja o destino, e sim só a primeira parada.
  3. Anote o que entra desde já. Controlar o faturamento bruto mês a mês é o que te protege de estourar o teto sem ver.

O Clima nessa rotina

Abrir e manter um MEI envolve uma rotina que cansa. O Clima é o sistema financeiro de quem cria, feito pra deixar essa parte mais leve, com apoio de quem entende do mundo creator. Conheça o Clima.


Glossário rápido

  • CNPJ: o registro de uma empresa, como se fosse o CPF do negócio.
  • MEI: Microempreendedor Individual, o CNPJ mais simples do país, com imposto mensal fixo e teto de faturamento anual.
  • DAS: Documento de Arrecadação do Simples Nacional, a guia única onde a empresa paga seus impostos de uma vez por mês.
  • DASN-SIMEI: a declaração anual do MEI, que informa quanto ele faturou no ano (prazo até 31 de maio).
  • Imposto de Renda (IRPF): o imposto sobre o que a pessoa física ganha no ano, com alíquotas que vão até 27,5%.
  • Faturamento bruto: tudo que entrou, antes de descontar qualquer custo ou imposto (o mesmo que receita bruta).
  • INSS: a contribuição que dá acesso a benefícios como aposentadoria e auxílio-doença.

Os valores e regras citados são de 2026 e podem mudar de um ano para o outro. Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um contador para o seu caso.

Fontes

meicnpjcreator