Imposto

A alíquota da tabela assusta. Mas quanto você paga de imposto de verdade?

Pra quem olha a tabela do Simples, vê 15,5% e entra em pânico. Você sai entendendo a diferença entre o número da tabela e o que você realmente paga.

Efetiva x nominal

Você abre a tabela do Simples Nacional, procura a sua atividade, e bate o desespero: "15,5%? Vou perder quase um sexto de tudo?". Calma. Esse número quase nunca é o que você paga de verdade.

A resposta direta

Existem dois números diferentes, e gente confunde os dois o tempo todo. A alíquota nominal é o percentual que aparece na tabela. A alíquota efetiva é o que você realmente paga sobre o seu faturamento. Na maioria dos casos, a efetiva é menor que a nominal.

Precificar olhando a nominal faz você cobrar mais caro do que precisa. O número que importa é a efetiva.

Por que os dois números são diferentes

O Simples tem um mecanismo chamado parcela a deduzir. Conforme você sobe de faixa de faturamento, a conta desconta um valor fixo, pra que o imposto cresça de forma suave, sem dar um salto brusco quando você muda de faixa.

Por causa desse desconto, a alíquota efetiva fica abaixo da nominal nas faixas mais altas. A fórmula que o sistema usa é: faturamento dos últimos 12 meses vezes a alíquota nominal, menos a parcela a deduzir, dividido pelo faturamento. O resultado é a sua alíquota efetiva real.

Um aviso importante (pra não criar ilusão)

Na primeira faixa de faturamento, a parcela a deduzir costuma ser zero. Ou seja: no começo, a efetiva é igual à nominal. Quem está na faixa inicial do Anexo III paga mesmo perto de 6%. Quem está na faixa inicial do Anexo V paga mesmo perto de 15,5%. O desconto só começa a pesar a seu favor conforme você cresce e sobe de faixa.

Então não caia na conversa de que "a efetiva é sempre bem mais baixa". Depende da faixa. No começo, os dois números andam juntos.

Um exemplo

A Carla presta serviço, está no Anexo III e faturou R$ 14.910 num mês. Na primeira faixa, a alíquota efetiva dela é de 6%. Imposto: cerca de R$ 895. Ela não paga 6% "mais alguma coisa escondida". É 6% mesmo.

Já se a Carla estivesse no Anexo V (a tabela cara, de quem não bate o Fator R), na mesma primeira faixa o número seria 15,5%, e o imposto pularia pra mais de R$ 2.300 no mesmo faturamento. A diferença entre as duas tabelas é justamente o que faz valer a pena olhar o Fator R. [Veja o artigo sobre Fator R.]

O que fazer agora

  1. Descubra seu anexo. Serviço costuma cair no Anexo III ou no V, dependendo do Fator R.
  2. Veja sua faixa de faturamento. Na faixa inicial, efetiva e nominal são quase iguais.
  3. Use sempre a efetiva pra precificar, nunca a nominal da tabela. Cobrar pela nominal é se sabotar.

O Clima nessa conta

Imposto efetivo é assunto que muda todo mês e pede um olhar de quem entende. O Clima existe pra simplificar a parte financeira de quem cria. Conheça o Clima.


Glossário rápido

  • Simples Nacional: regime que reúne vários impostos de micro e pequenas empresas numa guia só.
  • Anexos III e V: as tabelas de imposto do Simples para serviços. O III é mais barato (começa em 6%); o V, mais caro (começa em 15,5%).
  • Fator R: a regra que decide se a empresa de serviço cai no Anexo III ou no V, comparando o que ela paga de salários e pró-labore com o que fatura (corte em 28%).
  • Alíquota nominal: o percentual de imposto que aparece na tabela.
  • Alíquota efetiva: o percentual de imposto que você realmente paga sobre o faturamento.

Fontes

Os valores e regras citados são de 2026 e podem mudar de um ano para o outro. Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um contador para o seu caso.

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